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Mais de 40

Um projecto que celebra o tempo e as mulheres.

Mais de 40

Um projecto que celebra o tempo e as mulheres.

Cristina de Montezo

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Na minha década de 40 aconteceu tudo aquilo que nunca ninguém quer que lhe aconteça, confessa-me. Entre os 40 e os 49 fiz todas aquelas mudanças que todos tememos fazer: mudar de carreira, terminar uma relação e até perder um pai. Se isto me tivesse acontecido aos 20 teria enlouquecido, certamente. Mas aos 40 já tive uma maturidade, uma sabedoria para poder levar tudo de uma forma mais tranquila.

 

Pergunto-lhe se se acha mais bonita agora do que aos 20. Eu era mais bonita quando tinha 20 e tal e mas não sabia, responde-me. Agora sei tirar muito mais partido do meu corpo e da minha fisionomia, tendo consciência que envelheci. Às vezes, encontro pessoas que não me vêem há 20 anos e me dizem, agora estás mais bonita. Mas não, não estou. A diferença é que eu agora não me escondo. E depois acho que me tornei numa pessoa muito melhor, muito menos centrada nas minhas necessidades. E isso transparece. Aos 20 eu queria ser perfeita. Mas perfeitas só são as máquinas ou os deuses. E quando perdi essa necessidade, essa preocupação de ser perfeita tornei-me mais feliz. Mas acima de tudo senti: “eu não tenho de provar nada a ninguém”.

 

A minha avó dizia-me muitas coisas, que na minha infância eu não percebia e que hoje fazem um sentido incrível. Uma das coisas que ela dizia era: nós só somos bons enquanto o mundo quer. Acho que ela falava da ideia que os outros têm de nós. E eu senti na minha pele que quando me libertei disso, dessa prisão do que os outros podem pensar de nós, fiquei muito melhor. Hoje não tenho medo de dizer que não gosto, que não quero, de mostrar as minhas fragilidades. Hoje tenho coragem de mostrá-las, o que me torna mais forte.

 

Peço-lhe para me falar um pouco da sua mudança profissional. Trabalhei 20 anos na indústria farmacêutica. Foram 20 anos muito intensos. Quando saí abri uma empresa minha, uma empresa de coaching. E foi uma mudança muito grande. No meu emprego anterior eu estava sempre rodeada por pessoas. E essa mudança fez-me ver que eu preciso de pessoas, que eu gosto de estar entre pessoas. Porque podes ver o teu reflexo nos outros. É nos outros que consegues ver os teus pontos fortes e fracos. É com os outros que consegues crescer.

 

Antes de sair, diz-me: Sabes? Hoje, fui a um funeral de um amigo que morreu com 50 anos. Com 50 anos! A vida é mesmo curta. Demasiado curta. E isso faz-nos pensar. Nós não sabemos quanto tempo é que “isto” vai durar e por isso não podemos, não devemos, continuar a adiar aquilo que queremos fazer. Isto é mesmo curto. Mas o bom da vida é que estamos sempre a tempo de pensar que ainda podemos fazer. O bom da vida e do envelhecer.

 

Cristina de Montezo

49 anos

Coach  e Gestora de equipa