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Mais de 40

Um projecto que celebra o tempo e as mulheres.

Mais de 40

Um projecto que celebra o tempo e as mulheres.

Ana Oliveira Pires

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Conheci a Ana no dia da sessão. Foi a última “mais de 40” do dia e, por alguma razão, acabámos por ter uma conversa diferente, onde falámos mais da passagem do tempo, da idade, do envelhecimento, físico e mental, da vida.

 

Do ponto de vista da educação e da formação de adultos, que é uma das minhas áreas de investigação e de trabalho, à medida que vamos envelhecendo, vamos ganhando mais experiência de vida, disse-me. Mas experiência de vida no sentido daquilo que se retira do que se viveu e experimentou. E essa experiência do mundo, de nós, do que nos rodeia, dá-nos mais perspectivas, muitas vezes novas e totalmente diferentes das que tínhamos. Isso alarga-nos a nossa compreensão do mundo, torna-nos mais tolerantes, aceitamos melhor os outros, as circunstâncias, permite-nos ir integrando melhor as coisas. Isto é a tal sabedoria de que falamos. No entanto, isto, obviamente, não acontece a toda a gente. Há pessoas que vivem de uma forma muito sofrida e dorida, incapazes de integrar as experiências que tiveram de uma forma mais positiva. Essas pessoas talvez não cheguem ao fim da vida assim tão tolerantes.

 

Mesmo antes de terminar a nossa conversa perguntei-lhe se gostaria de voltar atrás, ter menos 20 anos. Disse-me que não. Sinto-me melhor agora, respondeu. Porque há uma série de coisas que já fiz na vida e que provavelmente não faria de maneira diferente. Eu sei que há aquela coisa, do ah, se eu pudesse voltar atrás faria as coisas de maneira diferente. Tenho dúvidas que isso acontecesse. Será que o faríamos? Afinal se voltássemos atrás também não seriamos pessoas tão diferentes daquilo que fomos na altura. Não, o que vivi está vivido. O que interessa é o que vem daqui para frente. Até porque tenho um pouco a ideia de que não é o tanto o tempo que nos dá juventude. É o ter projectos, sonhos e ter energia para ir atrás deles. O que nos dá juventude é o continuar a acreditar, o sentirmo-nos vivos. E lembrarmo-nos que tudo tem um tempo certo, sem arrependimentos. E, caso não haja esse tempo certo, sabermos que em qualquer fase da nossa vida, vamos a tempo mudar. Eu, felizmente, nunca tive grande medo de mudar. E nunca ninguém me disse que era tarde para o fazer. E espero continuar assim. Rui-se. Depois dos 60, se quiseres digo-te como é. Provavelmente não será muito diferente de agora. Nunca é.

 

Ana Oliveira Pires

56 anos

Professora universitária