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Mais de 40

Um projecto que celebra o tempo e as mulheres.

Mais de 40

Um projecto que celebra o tempo e as mulheres.

Ana Dias

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Eu nunca fui diferente daquilo que sou e não consigo ser de outra maneira, diz-me a Ana. Eu rio-me e penso que a nossa conversa podia ficar por aqui. Porque a Ana é isto mesmo. Conheci-a há cerca de três anos, no Cowork Lisboa, num fim de tarde de uma fase da minha vida que parecia só ter começos. Ia a sair, mas, antes, passou por nós e fez uma série de recomendações ao Fernando, o marido. Lembro-me de ter pensado, esta mulher é uma cuidadora. Mas, daquelas cuidadoras de frases curtas, sem floreados, nem adocicados postiços. Daquelas cuidadoras que são uma casa em formato de pessoa. Porque estar com a Ana é estar em casa. Uma casa cuja porta está só no trinco, é só entrar.

 

Durante a nossa conversa falámos sobre família, sobre ser mãe, sobre como os marcos de idade são etapas, fases, conquistas ou perdas sem data anunciada. Falámos também sobre o envelhecimento e da experiência no lar de 3ª idade “Casa Azul”. De como os velhos evitam o espelho para não se confrontarem com a imagem. Do envelhecimento mental e físico. Todos os dias envelhecemos, diz-me, no fundo não há maior sinal de vida do que o nosso envelhecimento. Por isso não percebo as pessoas que se angustiam tanto com isso. Tanta coisa boa que podiam fazer em vez de andarem angustiadas com rugas. Por exemplo, ajudar os outros a envelhecer.

 

Há um despojamento na forma como a Ana fala capaz de encher uma sala. Uma clareza na sua visão do mundo, que lhe aviva mais os olhos que qualquer maquilhagem. E eu penso que, de certa forma, a invejo. Como invejo todos aqueles capazes de se tornarem mais bonitos com o tempo.

 

Ao despedir-se disse-me que ainda tinha de ir ver a avó. Vou lá passar quando sair daqui, só depois de ver que ela está bem é que consigo ficar descansada.

Saiu. Mas a porta ficou só no trinco.

 

Ana Dias

47 anos

CFO Cowork Lisboa e CEO Casa Azul